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A piloto Maria Herrera em entrevista Disciplinada, lutadora e tenaz – uma mulher a competir ao mais alto nível entre homens.

A piloto Maria Herrera em entrevista Disciplinada, lutadora e tenaz – uma mulher a competir ao mais alto nível entre homens.

A piloto de 24 anos de Toledo e embaixadora da Trek tem boas expetativas para esta temporada, na qual é a única mulher a competir entre homens nas categorias Supersport 600 e MotoE, nesta última com uma mota elétrica. Depois de ter sido operada à síndrome compartimental no braço direito, condição muito comum entre os pilotos de motos de elite, regressou à carga. Admiradora de Kilian Jornet e Laia Sanz, reconhece que é muito teimosa – “o que quero, alcanço”, diz. E não há nada que anseie mais do que ganhar.

Qual diria que é a sua maior virtude como atleta?

Sou muito disciplinada. Sempre confiei na disciplina e no trabalho. Foi isso que me deu as armas para ganhar e estar ao melhor nível. Sou muito competitiva e quero sempre ganhar, mesmo que seja apenas a jogar bowling com amigos (risos). Mas no meu dia-a-dia, levo isto um pouco menos a sério, porque como estou muito focada na minha carreira como piloto de motas, preciso de relaxar e deixar a pressão de lado.

Como relaxas? Onde encontras esta válvula de escape?

Desde bem pequena, eu gosto muito de pintar, tanto paisagens como retratos. É uma coisa muito diferente, algo que as pessoas não sabem sobre mim e que eu mostrei durante a quarentena. Além de pilotar, sou uma pessoa que precisa relaxar, algo que consigo pintando de uma forma totalmente autodidata. Comecei a desenhar na escola e, como a professora me motivou, continuei a fazê-lo. No final, acabei por trazer essa prática para o meu relaxamento antes das corridas. Quando me sentia nervosa, começava a desenhar. Depois fiz o meu logótipo e o meu número, o 6, que foi a idade com que comecei a competir.

Dás muita ênfase a superar as adversidades, não a desmaiar. Quão importante é para ti a força mental?

É muito importante! Trabalho com um psicólogo desportivo, pois há muitos momentos maus, muitos altos e baixos, lesões e o nível competitivo é muito equilibrado. É por isso que os pequenos detalhes são o que te fazem subir ou descer. Se fores mentalmente forte, podes conseguir ser muito mais regular, que é o mais importante no campeonato. É por isso que a força mental é fundamental para mim e sentir que sou acompanhada pela minha família. Tens de te rodear de pessoas que te apoiam também nos maus momentos.

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Quais foram os obstáculos mais importantes que já tiveste de ultrapassar?

O mais difícil foi quando estava em primeiro lugar no Campeonato de Espanha de Velocidade (CEV) contra o Fabio Quartararo, que agora está no MotoGP, e sabia que ia passar para o Campeonato do Mundo. No entanto, caí na última corrida, e não me fizeram o contrato, apesar de mo terem prometido. Acabei por terminar o campeonato em segundo lugar! Naquela altura pensei: “Nunca me valorizam.” Vi que as mulheres estavam a ser travadas e que tinha de lutar com o facto de eu ter uma mota menos competitiva, tinha de conseguir passar para uma boa equipa para poder vencer.

Foste tratada de forma diferente por ser mulher?

Reparei que não me viam como um piloto, mas sim como uma oportunidade de marketing pelo facto de ser uma rapariga. Sou uma boa piloto e estou a prová-lo, mas o facto de ser mulher travou-me muito. Se tivesse conseguido melhor, como acho que tenho este ano, teria conseguido ainda melhores resultados. O meu sonho a nível profissional é ser campeã do mundo, e não vou para a sepultura sem o ser (risos). Seja em que modalidade for, no ciclismo ou no esqui, onde também ganhei, serei campeã. Mas atualmente, no motociclismo, claro.

Estavas a falar do Quartararo, a quem venceste. Como te sentes ao vê-lo a competir em MotoGP e tu sem mota no Mundial e a teres de competir em duas categorias ao mesmo tempo?

Custa. Já venci pilotos que estão lá no topo como Fabio Quartararo, Alex Marquez e Alex Rins, e sinto-me impotente porque sei que tenho armas e talento para lá estar, mas não me deixaram prová-lo. O que é uma MotoGP? Uma mota mais potente com a qual tens de fazer muitas voltas para de adaptares. Logo, o facto de ser mulher não é por si nenhuma desvantagem. E provei-o, porque pilotei uma 1000 e fui muito rápida. E agora estou a competir em MotoE com uma mota de 270 kg, mais 100 kg que uma MotoGP. É mais fácil pilotar uma MotoGP do que uma MotoE! O problema é a confiança que têm em ti.

Na tua página de Instagram (@mariaherrera_6), onde tens 217 mil seguidores, citas uma frase controversa de Kilian Jornet: “Competir ou Morrer”. O que significa isso para ti?

O meu treinador de 2011 a 2014 deu-me o seu livro, que me marcou, porque o Kilian vê superação no sofrimento. Para mim, digo “competir ou morrer ” porque a minha vida são as motas. Eu gostava de passar toda a vida a andar de mota e a fazer desporto, porque sou uma fanática do desporto. Durante a quarentena, partilhei vídeos em direto apenas para encorajar as pessoas a mexerem-se, para limpar a cabeça, porque é muito importante para a nossa força mental. Vi muitas pessoas com depressão, e tenho pena disso.

Fala-nos dos teus treinos e de como integras o ciclismo neles.

Atualmente fiz hipertrofia para ganhar massa muscular, pois precisava de mais peso para o MotoE. Também fazemos muito exercício de alta intensidade em muito pouco tempo para que em competição as pulsações não disparem tanto. Também treino ciclismo três vezes por semana para definir um pouco. Agora estamos a fazer séries, tanto em estrada com a Domane como em montanha com a Top Fuel, para passar de 120 a 180 batimentos por minuto. Gosto quando me enviam um treino de bicicleta, porque me descontraio e desfruto os meus amigos em grupo. Chamam-me a rainha dos cavalos, porque estou sempre a fazê-los na montanha, combinando equilíbrio e concentração.

Tens algum projeto futuro, para além de continuar a competir?

Gostaria muito de criar uma grande escola de pilotos focada na competição, oferecendo serviços completos de treino, fisioterapia e dietista. Quero fazer pilotos, raparigas e rapazes. Para mim, isso é muito claro.

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Pedala.
Diverte-te.
Sente-te bem.

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About the Author: Trek

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